sábado, 24 de março de 2018

ERROS BANAIS QUE ATÉ MESMO PSICANALISTAS COMETEM AO FALAR SOBRE PSICANÁLISE


        

            
           Atribuir a descoberta do inconsciente a Sigmund Freud: “O conceito de inconsciente por muito tempo esteve batendo aos portões da psicologia, pedindo para entrar. A filosofia e a literatura quase sempre o manipularam distraidamente, mas a ciência não lhe pôde achar uso. A psicanálise apossou-se do conceito, levou-o a sério e forneceu-lhe um novo conteúdo. Por suas pesquisas, ela foi conduzida a um conhecimento das características do inconsciente psíquico que até então não haviam sido suspeitadas, e descobriu algumas das leis que o governam.” (Freud 1940)
            Afirmar que Freud atendeu Schreber: O Caso Schreber é um caso de estudo e não um caso clínico. Freud não atendeu psicóticos, alias ele nem mesmo acreditava que a psicanálise poderia tratar as psicoses, apenas as neuroses. Quem vai de fato se aprofundar na clínica psicanalítica da psicose é Lacan.
            O caso Schreber foi escrito por Freud com base na leitura do livro do próprio Schreber, assim como ele fez a analise de Leonardo da Vince e Moises, através de livros e relatos históricos.
          Atribuir o desenvolvimento da psicanálise exclusivamente a Sigmund Freud: Freud é apenas uma parte da história da psicanálise, é quem a assumiu e suportou todas as consequências geradas por essa nova área de conhecimento, mas a construção dela teve a participação de varias pessoas, duas das mais importantes citadas amplamente por Freud, são: Josef Breuer e Jean Martim Charcot. Mais tarde varias pessoas se envolveram e fizeram suas contribuições, Jung, por exemplo, é frequentemente citado por Freud, apesar das desavenças, mais por parte de Freud do que de Jung, Freud continuou utilizando vários conceitos cunhados por Jung, e o citando em suas obras.
       Defender a vida pessoal de Freud, ou a condição de sua personalidade com maior empenho do que defende a própria psicanálise: Que Freud tinha uma personalidade difícil, para não dizer quase impossível, não é novidade, não a toa que tantas pessoas o abandonaram. O uso de cocaína menos ainda seria segredo, já que o próprio Freud fala sobre isso em correspondências. O que muitos psicanalistas perdem de vista, é que não importa o que Freud fazia, mas sim a teoria que ele criou.
            O Fato de ele utilizar cocaína, ter uma personalidade difícil, etc. não fala da teoria psicanalítica em si, fala sobre a vida pessoal de Freud, pode até ser que esses fatores influenciaram em algo, mas não invalidam a teoria.
           O que os psicanalistas tem que entender é que o fato de Amy Jade Winehouse ter morrido por consumo de álcool e Chorão até onde sabemos ter morrido por uso de cocaína, não muda a qualidade da musica deles, continuaram sendo alguns dos maiores nomes da musica e sua musica continuará sendo de excelente qualidade, indiferente a vida desregrada que levaram. Não temos que nos dar ao trabalho de defender a vida pessoal de Freud, pois o interesse é na sua obra, não quero me casar com Freud, mas sim, utilizar a psicanálise para uma compreensão de sujeito e mundo. O que me interessa são a consistência e qualidade da teoria psicanalítica.
          Atribuir à escrita do caso Anna O a Freud: Esse é um erro que eu mesmo já cometi no inicio de meus estudos psicanalíticos. Devido a Freud ter escrito o volume dois de suas obras, Estudos Sobre a Histeria, em conjunto com Breuer, torna fácil confundir de quem seria a autoria de quais textos. Algumas pessoas cometem um erro ainda maior, de afirmar que a Anna O seria paciente do Freud, até onde sabemos Freud até chegou a atendê-la, mas no livro a descrição é do atendimento realizado por Breuer e não Freud. E segundo o que consta, foi escrito pelo próprio Breuer, apesar de eu ter suposições diferentes, a escrita me parece muito freudiana, suspeito que Freud tenha escrito segundo o que Breuer o relatou e apenas colocou o nome de Breuer no texto. Mas isso são apenas suposições sem provas.

            Esses são os principais erros cometidos por quem conhece a psicanálise, mas às vezes não leu com a atenção devida, ou não leu todas as obras freudianas e acaba falando coisas que contrariam o próprio Freud.
            Agora vamos ver um pouco sobre os graves erros cometidos por pessoas que nada sabem de psicanálise e acabam pronunciando um monte de asneiras ridículas.

          Misturar psicanálise com religião: Foi o principal motivo da briga de Freud com Jung e uma das principais criticas dele ao longo de muitas obras. Freud considera a religião uma doença inútil à humanidade, com ele apresenta na obra O Mal-Estar na Civilização. O cumulo da ignorância é alguém utilizar psicanálise freudiana para qualquer aspecto religioso.
        Falar sobre sexualidade como se fosse sinônimo de ato sexual ou genitalidade: Como mencionei, esses são erros ridículos cometidos por quem não leu se quer duas páginas sobre psicanálise. Sexualidade se refere ao desejo, a pulsão de vida, o que nos faz desejar e buscar o prazer na realização do desejo. O ato sexual é um parte mínima da sexualidade.
           Falar sobre o uso de cocaína por parte de Freud, como se o consumo fosse do mesmo modo que o recreativo atual: Quando Freud utilizou a cocaína, foi como forma de medicamento, não um uso recreativo. Traduzindo em palavras leigas, Freud não tomou cocaína para ficar “chapadão”, mas sim como um repositor energético. E não, eu não me enganei ao escrever que Freud TOMAVA cocaína, era exatamente desse modo que ele consumia, não injetava, nem cheirava, ele tomava como qualquer medicamento na época, assim como hoje tomamos um remédio para dor de cabeça.
           Falar de casos mal sucedidos do Freud como se fosse um segredo: Freud nunca disse que todos os seus casos foram bem sucedidos e nunca guardou segredo dos casos mal sucedidos, tanto, que publicou alguns deles, como é o caso Dora. Freud publicava seus erros, justamente para que outros pudessem fazer de outro modo e talvez acertar. Então falar dos erros de Freud é “chover no molhado”, pois ele próprio fala de seus erros em suas obras, isso não é novidade e nem de longe um segredo.
         Falar que a homossexualidade é perversão como se isso fosse algo ruim: Esse é certamente de longe o erro mais imbecil de todos. Freud disse sim que a homossexualidade era perversão, assim como o beijo na boca, assim como o sexo oral e qualquer outra prática preliminar do ato sexual, isso porque todas essas práticas pervertem a função original do ato sexual, que é a exclusiva reprodução, mas Freud nunca disse que isso deveria ser combatido, apenas afirmou que tudo que não seja com finalidade exclusiva reprodutiva, é uma perversão da função original do ato sexual, cometida por todos nós por sinal.
      Falar sobre psicanálise Freudiana na atualidade sem atualizações: Esse também é um erro cometido por quem não estudou absolutamente nada de psicanálise. Tomam a psicanálise freudiana e esquecem do contexto social no qual ela se desenvolveu, criticam o fato de a psicanálise freudiana se nortear pela ideia nuclear de família, mas esquecem que até uns cinquenta anos atrás, ainda se utilizava expressões como: Filho bastardo, mulher apartada, filho ilegítimo. É muita ignorância esperar que Freud escrevesse a cem anos atrás, com conceitos que seriam desenvolvidos apenas setenta anos mais tarde, a noção ampla que temos de família, é totalmente atual, e nem mesmo é aceita por todos, está cheio de ignorantes por ai defendendo que família é só pai, mãe e um casal de filhos loirinhos de olhos azuis. Mas ainda assim as pessoas criticam a psicanálise freudiana, pela ideia de núcleo família, inclusive, sem estudar para saber que os psicanalistas atuais seguem o entendimento de família amplo da psicologia atual, que a família nuclear é uma definição de um dado momento e período histórico.

       Eu sempre afirmo: “ninguém é obrigado a saber nada, mas todos são ética e moralmente obrigados a manter a boca fechada sobre aquilo que não sabem”. Infelizmente temos um grande número de pessoas falando sobre coisas que nunca estudaram ou leram. Com a psicanálise não é diferente, tem um monte de ignorantes, criticando-a por causa de uma frase solta que ouviram, nem sabem de onde veio, quem escreveu e em que contexto. Assim como temos pessoas que a estudam de maneira superficial, não se atualizam e acabam pronunciando coisas incoerentes ou desatualizadas que acabam descredibilizando a área.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

BRINQUEDOS EDUCATIVOS LEGAIS PARA DAR DE PRESENTE E ENSINAR UMA CRIANÇA A UTILIZAR.

    Alguns dos brinquedos que estarei mencionando aqui, infelizmente vêm perdendo seu espaço para celulares e outros acessórios eletrônicos. E digo infelizmente, não porque sou um saudosista que acredita que infância verdadeira é aquela em poças de lama jogando bola na rua, mas sim, porque todos os brinquedos que estarei apresentando, tem uma rica importância no desenvolvimento do intelecto infantil.
     Qualquer criança que brinque com essas ferramentas de aprendizado, estará mais sensível aos variados conhecimentos com os quais irá se deparar em seu desenvolvimento.
         É importante lembrar, que não basta presentear a criança, é preciso ensina-la a utilizar e brincar junto com ela, para incentiva-la no uso desses artifícios do intelecto, do contrario, uma ferramenta potencialmente poderosa, se tornará apenas lixo em um canto da casa.

            Instrumentos óticos.
           Qualquer instrumento que modifique a forma como a criança vê o mundo, tende a ser atrativa para está criança.


            Lupa: A lupa é um instrumento de aumento de tamanho das imagens. O uso dela leva a criança a perceber detalhes que a olho nu não são tão evidentes. Ensinar a criança a observar folhas de plantas, flores, amostras de rochas e solo, pode facilitar muito o futuro interesse dela nas aulas de geografia, biologia e química. Claro, que é ideal que os adultos próximos a criança, esclareçam suas curiosidades a respeito do que ela observa, com a internet na proporção que se apresenta na atualidade, podemos concilia-la com essa tecnologia de mais de quatrocentos anos, pode-se ensinar a criança a observar uma planta, por exemplo, e através de um site de botânica, tentar identificar qual a espécie de planta, a que família pertence, qual o formato de suas folhas. Sei que afirmando desse modo, parece algo que nenhuma criança “normal” se interessaria, mas acreditem, crianças costumam ser curiosas, talvez ela não passe o resto da vida identificando plantas e insetos em um diário como Darwin, mas o tempo que ela se interesse por essa atividade, já vai lhe proporcionar um ganho significativo.
            E uma das vantagens desse presente, é que tem um baixo custo, você encontra no mercado lupas de preços variados, mas as mais baratas ficam abaixo dos dez reais. E ainda existe a possibilidade de fabricar uma, junto com a criança, o que dobra o aprendizado. Se esse for o caso e você decidir fabricar junto com a criança, lembre-se de privilegiar as lupas feitas com garrafas de plástico e não as de lâmpadas incandescentes, apesar de as de lâmpada serem, na minha opinião, muito estéticas, creio que nem preciso dar muitas explicações do porque não é indicado uma criança correr para cima e para baixo, com um objeto de vidro extremamente fino e cortante.
     Outro aparelho nessa mesma proposta seria um microscópio, que apesar de quando profissional, custar muito caro, no caso de algumas versões infantis, são mais limitados, porem mais acessíveis. Também é possível fabricar algumas versões caseiras.
       Outra possibilidade nesse sentido é para o caso de crianças que já tem celular, ensina-las a utilizar o zoom da câmera, para ampliar os objetos, além de incentiva-las a registrar a imagem e catalogar pelo nome, flores, folhas, rochas... Apenas tome cuidado com o possível interesse da criança por insetos, pode ser um ótimo conhecimento para ela, mas é sempre necessário alerta-la dos riscos de insetos venenosos.


        Luneta: Uma luneta nas mãos de uma criança pode ser uma ótima ferramenta de desenvolvimento intelectual, desde que um adulto a ensine o uso correto do equipamento.
      O primeiro e mais óbvio uso para a luneta ou telescópio amador, é a observação da lua e estrelas, o que pode gerar um interesse pela astronomia e levar a criança a conhecimentos sobre o universo. O segundo uso possível para a luneta é a observação de paisagens, podendo-se explicar para a criança questões como a visão macro e micro exercidas na prática aplicada. Além de possibilitar o interesse por práticas artísticas como a pintura e o desenho. A terceira aplicação de uma luneta pode ser a observação de pássaros na natureza, claro que para isso é preciso morar em um local que tenha pássaros, o que em cidades pequenas não é raro. Também pode ser empregada na observação de insetos, mas sempre instruindo a criança a manter uma distância segura e nunca tocar nos insetos, pois sempre correrá o risco de se deparar com algum venenoso.
       Assim como os anteriores, também existe como fabricar uma luneta em casa, versões simples, de baixo custo, mas que já tornam possível uma boa diversão e aprendizado.
       Sempre valido lembrar, que caso sua escolha seja por comprar algum desses equipamentos, certifique-se de que o produto tenha o mínimo de qualidade necessário. Antes dar para a criança uma simples lupa, que mostra imagens limpas e nítidas ampliadas adequadamente, do que presentea-la com um telescópio que mostra imagens borradas e irreconhecíveis. Não é por ser um brinquedo infantil, que pode ser qualquer coisa de baixa qualidade. Até mesmo porque um equipamento de muito baixa qualidade pode colocar a saúde e até mesmo a vida da criança em risco.

            Instrumentos de cálculos.

            É bem comum encontrarmos crianças que não gostam muito de matemática, em parte isso é culpa das escolas, professores e grades curriculares, que tornam algo que poderia ser encantador, uma verdadeira tortura. Existem formas muito divertidas e diferentes de fazer cálculos.


        Contas: Por mais bobo que pareça, crianças costumam se encantar com a possibilidade de manusear vários pequenos objetos, como contas, que podem ser compradas, ou improvisadas com uma grande quantidade do mesmo objeto, por exemplo, um punhado de bolinhas de gude, ou pedrinhas coloridas. São também uma excelente possibilidade de ir ensinando a criança a formar grupos (aglomerados) de quantidades de contas, aumentando e diminuído essas quantidades, subtraindo e adicionando elementos ao grupo. Sempre lembrando que a idade da criança influi no tipo de contas que você pode deixar ao alcance dela, além de sempre instruí-la a não colocar nada na boca, ou em outros orifícios, o que não é nada incomum crianças fazerem.


     Ábaco: apesar de na atualidade ser considerado apenas um brinquedo, esse instrumento de cálculos, já foi utilizado por contadores reais, que organizavam finanças inclusive de bancos e “empresas” da antiguidade com ele.  É uma linda ferramenta para adicionar e subtrair um número significativo de valores. Infelizmente na maioria das vezes quando uma criança o ganha, acaba ficando jogado sem ela utilizar, em alguns casos, pelo simples fato de que ela não sabe utilizar e ninguém se propôs a ensina-la.
     Assim como praticamente todos os equipamentos que mencionei, o ábaco também pode ser construído em casa, com objetos comuns de plástico, que na maioria das vezes vão para o lixo. As versões compradas infelizmente não são tão baratas, mas também não chegam a ser um absurdo de caras.
         No caso de crianças que tenham celulares, existem vários aplicativos com jogos envolvendo cálculos, inclusive existem vários aplicativos interessantes, que simulam o ábaco.

            Brinquedos gerais


       Quebra-cabeças: auxilia a criança no desenvolvimento da noção espacial, além da visão macro e micro, já mencionada no tópico do telescópio.

            Jogo da memória: o nome já é bastante autoexplicativo.


            Lego: creio que nunca será um brinquedo ultrapassado, pois incentiva a criatividade e o planejamento.


            Tinta guache: esse tipo de tinta, que dilui em água, além de ser de fácil limpeza, possibilita a criança misturar cores e criar novas. Principalmente se você presenteá-la apenas com as cores primárias e o preto e branco. Ela vai se divertir mais criando cores, do que pintando em si. Claro que para isso você precisa ensina-la que a partir do: azul, vermelho, amarelo, preto e branco, ela pode formar qualquer cor perceptível aos olhos humanos.


            Massa de modelar: auxilia no desenvolvimento psicomotor, incentiva a criatividade e o desenvolvimento do tato. Além do fato de que crianças de modo geral, tem uma grande atração pela textura da massa, por isso brincam com barro e coisas semelhantes.
            Seguem-se uma infinidade de brinquedos que possibilitam o desenvolvimento psicomotor e intelectual de uma criança, esses são apenas uma pequena amostra, mas sempre lembre-se, ensinar a criança a usar o presente, é mais importante do que presentear.

            Dicas do que evitar
            Além do óbvio que se deve evitar dar a uma criança, como objetos muito pequenos ou cortantes, existem outros cuidados que nem sempre estamos atentos.
            Evitem dar para crianças jogos e brinquedos que precisem de duas crianças ou mais para jogar, se ela não costuma ter outra criança por perto. Parece meio obvio, mas o que mais acontece, é pessoas darem para uma criança que é sozinha em casa (sem outras crianças) e raramente recebe visitas, brinquedos que precisam de duas pessoas para brincar e nenhum dos adultos próximos dela, costuma dar a atenção que deveria. Isso é extremamente frustrante para uma criança. Nesses casos, privilegie jogos individuais.
            Evitem brinquedos que produzam sons altos, apesar de as crianças de modo geral amarem brinquedos barulhentos, seus cuidadores não costuma gostar e se ela morar em apartamento, os vizinhos apreciarão ainda menos.

            Desvie de brinquedos que utilizam pilhas para seu funcionamento, os cuidadores raramente se dão ao trabalho de comprar pilhas novas, normalmente o brinquedo ficará jogado em um canto por isso, além da facilidade que esses brinquedos movidos à pilha têm, de estragarem rapidamente.

domingo, 28 de janeiro de 2018

DIREITO A OPINIÃO.


   Tem sido até mesmo cansativo a frequência com a qual venho repetindo, que o direito a opinião, não é permissão para falar qualquer bobagem que vem a mente. Mas creia, se me repito a tal modo, é exclusivamente por se fazer necessário.
   Parece que as pessoas ainda não entenderam o que de fato é opinião e qual a responsabilidade envolvida em emiti-la. Opinião, não falar o que você acha de algo, isso é achismo e eu costumo afirmar, opiniões não estão perdidas por ai, para você achá-las. Opinião é um parecer emitido sobre determinado assunto, após uma síntese de tudo que você leu, estudou, experienciou e analisou a respeito. Obviamente que para isso é preciso que você de fato tenha lido, estudado, experienciado e analisado a respeito do tema de sua opinião.
    Achar que direito a opinião é a possibilidade de falar qualquer porcaria que vem a mente, é o mesmo que acreditar que direito a liberdade é poder tirar a vida de outra pessoa sem consequências.
  O direito a livre expressão e opinião foram defendidos e estabilizados em nosso país, em um período de pós-ditadura. No período ditatorial do Brasil, o simples fato de você ler e estudar determinados assuntos que poderiam colocar o regime em questão bastava, para que você desaparece-se misteriosamente. Nessa época muitas pessoas foram mortas pelos livros que tinham em casa. Muitas músicas foram censuradas, não porque faziam apologia à violência, ou pregavam a queda do regime militar, mas pelo simples fato, de que expunham a fome, a miséria e a corrupção no país. Nesse período, mesmo uma pessoa estudando, conhecendo e tendo provas da corrupção, violência e criminalidade do próprio governo, não podia abrir a boca para falar nada a respeito, pois como dito, só o fato de uma pessoa saber de tudo isso, já era o suficiente para ser eliminada.
    Foi nesse ambiente de hostilidade e homicídios, que grupos de artistas, estudantes e simpatizantes da liberdade, lutaram pelo fim da ditadura e pelo direito a liberdade de expressão, sem censura. Para que pudessem manifestar aquilo que estudavam e conheciam. Por isso é muito desonesto, você usar como desculpa o direito a liberdade de expressão e opinião, para desrespeitar pessoas ou grupos. Direito a livre opinião, é a garantia de poder estudar e falar abertamente sobre aquilo que estudou, sem ser morto por isso. Não é uma autorização para sair falando qualquer merda. Então nunca faça uma afirmação preconceituosa, racista ou homofóbica, afirmando “Essa é minha opinião”, não. Essa não é a sua opinião, é um crime cometido por um imbecil, que não tem noção do que de fato é opinião e o quanto ela custou a nossa sociedade. Centenas de pessoas foram mortas, para que hoje pudéssemos discutir política em praça pública sem sermos torturados e mortos.
    Nunca ouse, falar qualquer asneira sobre o que você não leu, não experienciou e não conhece. Cada palavra que você fala em público tem o preço de centenas de vidas perdidas, na luta pelo seu direito a falar. Em respeito a essas vidas, repense o valor do que é dito.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

COERÇÃO COMO SOLUÇÃO

            O Brasil tem um posicionamento coercitivo, no qual toda ação errada cometida por um cidadão é punida, em forma de multa, prisão, ou pena alternativa. Mesmo o que deveria ser uma proposta de conscientização, como grupos de encontros com agressores ou infratores, em geral são impostos por um juiz e igualmente interpretados como uma punição.



            Creio que nosso país tem dado demonstrações bastante claras de que esse método não está apresentando grande eficiência. Mas tomemos aqui como consideração, os casos que supostamente funcionam, aqueles nos quais a incidência de casos diminui, com a coerção. Para explorarmos melhor isso, tomaremos como exemplo alguns países da Europa os quais não listarei nomes, mas que tiveram uma diminuição significativa nos índices de assédio contra mulheres, após adotarem medidas coercitivas mais intensas contra esse crime.
            Sabemos que no Brasil, temos casos de assédios contra mulheres às centenas diariamente, alguns verbais, outros físicos. Na Europa, isso já foi combatido em alguns países que penalizaram mais severamente o crime, mas questionemos o como e a que preço. Uma coisa muito estranha a estrangeiros que visitam nosso país, é a forma de cumprimentarmos pessoas que nem conhecemos e ainda mais, o fato de abraçarmos pessoas que acabamos de ser apresentados. O hábito de beijar no rosto então? Para alguns estrangeiros isso é quase um atentado. Alguém já se perguntou o por quê eles agem tão diferente em seus países? Uma das coisas mais ditas por brasileiros que estão na Europa, é que sentem saudade desse afeto humano, dessa coisa de poder puxar conversa com qualquer estranho no ponto de ônibus.
            Podemos presumir que a posição mais reservada e poderia se dizer até mesmo fechada dos europeus, não é resultado da violência urbana ou criminalidade, pois até onde sabemos, seus índices de criminalidade costumam ser menores que os nossos. Então por quê eles nem mesmo costumam dizer bom dia, a um estranho? Uma das hipóteses que deve ser considerada, é que a coerção foi tão intensa nesses países, que as pessoas têm medo de dirigir a palavra a outra, que não seja em ocasiões de necessidade. Afinal, eu posso dizer bom dia a alguém e essa pessoa acreditando que minhas foram agressivas me processar. Parece exagero, mas existem relatos de brasileiros que residem em outros países que corroboram essa hipótese.
            O combate ao racismo, assédio, e outras formas de violência é tida como eficiente nesses países, mas o preço é justamente a sociabilizarão. E eu pergunto a ideia de combater esses crimes, não é exatamente possibilitar um convivo social mais saudável? Temos altos índices de depressão e suicídio nesses países. Claro, existem fatores climáticos favorecedores, mas realmente alguém ousaria dizer que não há influencia social nesse adoecimento? Mas se há fatores sociais, por quê? Afinal, não são países sem assédio, com emprego para todos?! Por que alguém quer se matar em um país como esse?
            Na psicologia, Skinner se consagrou como um dos grandes nomes, a estudar a coerção como forma de moldar o comportamento de animais de varias espécies, estendendo suas descobertas ao ser humano. Ao longo de seus estudos, esse autor comprovou que a punição é completamente ineficiente no ato de moldar o comportamento. Que o individuo apenas deixa de emitir determinado comportamento, na presença do agente punitivo, mas que em sua ausência, manterá o comportamento e em certos casos, inclusive intensificará. Por exemplo, o radar não faz com que o motorista ande com mais cautela e na velocidade da via, faz com que ele diminua a velocidade no radar, para acelerar novamente, logo em seguida, ou seja, ele somente inibe o comportamento, na presença do agente punitivo (radar), mas não aprendeu nada, a não ser, como burlar o agente punitivo, seu comportamento não foi moldado, ele não aprendeu que dirigir em alta velocidade pode causar acidente, ele aprendeu apenas que tem de encontrar um modo de não ser punido, mesmo continuando a cometer a infração.
            Retomemos o nosso exemplo da Europa, as pessoas assediam menos, porque respeitam seus semelhantes como humanos iguais, ou para não serem presos e processados? O temos da punição é de fato eficiente? Sendo que ele gera o custo do convívio e relacionamento social? Na ausência da lei, ou suas representações, essas pessoa manterão a postura de não assediar e nem desrespeitar as outras?
            Na mesma referida Europa, existem países cujo a língua oficial não é o inglês, nos quais se um estrangeiro pedir informações em inglês, é completamente ignorado, sendo que apesar de não ser a língua oficial, boa parte da Europa é fluente em inglês. Essas pessoas deixaram de ser preconceituosas, ou apenas manifestam de outro modo seus preconceitos?
            Muitas vezes um empresário não fala mal de negros, porque sabe que corre o risco de ser prezo, mas quando observamos seu quadro de funcionários, de cem funcionários brancos, não existe um único negro na folha de pagamento.
            Queremos pessoas medrosas, que deixam de cometer crimes apenas quando vigiadas, e encontram outros modos de cometê-los camufladamente, ou pessoas conscientes de suas atitudes?
            Claro que somente um completo tolo acreditaria que defendo aqui, a falta de punição, afinal, podemos não evitar a agressão indireta e camuflada, mas evitar a declarada, já é um passo, porém um passo muito curto e que não nos levará em direção de grande proveito. Temos que fortalecer a conscientização, investir mais em um povo que tenha claro o fato de ter um semelhante a sua frente, alguém que merece o mesmo respeito que ele, pessoas capazes de analisar as consequências de suas atitudes na vida do outro. Precisamos de pessoas que saibam pensar e não pessoas medrosas.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A BRIGA DE FREUD E JUNG

Ao longo dessa relação que durou um tempo considerável, Freud depositou grande confiança em Jung, acreditando que esse daria seguimento a psicanálise criando inclusive uma forma de inclusão dos psicóticos, mais ou menos o que é feito mais tarde por Lacan. Porém, conforme o tempo passa, Jung cada vez mais, passa a pensar por si, criando distinções do pensamento freudiano. Isso faz com que a relação entre esses dois personagens, se torne cada vez mais agressiva, ao nível de romperem definitivamente.
Um dos principais problemas de Freud em relação a Jung foi referente a religião. Freud acreditava que a psicanalise como uma nova área, que desafiava a sexualidade e os valores da época, sendo representada por judeus, salve a exceção do próprio Jung, já encontrava resistência o suficiente, sem precisar de mais a questão religiosa para criar problemas. Claro que aqui, ainda vem embutido o fato de que Freud desprezava a religião de maneira significativa.
Após vários episódios de discussões e desconfortos entre os dois, a situação se tornou insustentável, gerando um afastamento pessoal, mas não na mesma proporção teórico. A psicanálise permanece com conceitos desenvolvidos por Jung e a teoria analítica possui sua semelhança com a psicanálise, sendo considerada como uma forma de psicanálise por muitos.
Em relação aos autores, me parece que Jung é muito melhor resolvido com o desentendimento do que Freud, isso fica notável, nas entrevistas que Jung concedeu, nas quais sempre que fala de Freud, apesar das críticas a personalidade, o faz com carinho. Diferente de Freud, que sempre refere-se a Jung de maneira ácida, talvez pelo próprio investimento libidinal, mal resolvido.
Em relação aos junguianos e freudianos, me parece existirem variações, alguns junguianos são tão mal resolvidos quanto Freud e acabam entrando em disputas desnecessárias e críticas pouco produtivas em relação a psicanálise, e alguns freudianos acabam sendo tão carinhosos em relação a psicologia analítica quanto Jung ao falar de Freud. Sendo que o inverso também é valido, freudianos em criticas rasas de Jung e Junguianos que tem grande apreço pela psicanálise.
Talvez tenhamos mais a comemorar do que a lamentar, pois graças a esse desentendimento, temos mais uma grande opção teórica na psicologia.

domingo, 15 de outubro de 2017

SOBRE A FILOSOFIA VEGANA

INTRODUÇÃO

Para quem ainda desconhece do que se trata, o veganismo é uma forma de viver, que repudia maus tratos a animais, e toda forma de exploração que os envolva. Para apoiar esse ideal, veganos não se alimentam de produtos que tenham origem animal: ovos, leite, gordura, e todos os derivados possíveis, assim como evitam o consumo de qualquer produto que se saiba ter sido produzido à base de exploração animal, como cosméticos que são testados em ratos e outras espécies.
Fique bem claro aqui, não estou me posicionando contrario ao veganismo, cada um estabelece sua própria filosofia de vida, vive a maneira que considera mais adequada e responde pelas consequências das escolhas que fez. O que pretendo fazer aqui é questionar as justificativas que normalmente são dadas pelos adeptos do veganismo para sua escolha de vida. De modo algum também, pretendo incentivar alguém que fez essa escolha a deixar de ser vegano, apenas vou expor algumas falhas amadoras no discurso do veganismo, principalmente por parte dos iniciantes nessa forma de vida. Por vezes vi veganos serem entrevistados, por reportes pouco educados, e serem humilhados por desconhecerem a própria escolha que fizeram. Minha finalidade ao produzir esse texto é deixar evidente, as falhas no discurso, para que desse modo quem fez tal escolha, saiba como argumentar e defender a sua escolha se decidir entrar em uma discussão a respeito, fique bem claro, ninguém é obrigado a discutir sobre as escolhas que fez, você pode simplesmente falar: “Sou vegano, é da minha conta, sou eu que pago a minha comida, você não tem haver com a minha vida.” Agora, se você vai escolher discutir a respeito e justificar sua escolha, tenha argumentos plausíveis e sensatos, de preferência que não se contradigam entre eles. Para que você não desmereça toda uma classe de pessoas, que fez a mesma escolha que você.
Antes de seguirmos, creio ser valido e necessário, deixar claro que eu não sou vegano, nem mesmo vegetariano, apesar de consumir pouca carne e ser contrario ao abate animal, por tanto, seria mais coerente da minha parte, ao menos, me tornar vegetariano. É importante deixar isso claro, para ficarem evidentes as possíveis tendenciosidades da minha opinião.



RESPEITO A VIDA.

Um dos primeiros furos dos argumentos veganos, principalmente de iniciantes, é a afirmação de que desejam respeitar todas as formas de vida, por isso não consomem tais alimentos. Primeiro vamos esclarecer, você está falando de uma parte extremamente restrita da vida, apenas a vida animal. Todos os vegetais, fungos e bactérias que você consome na sua alimentação, também são vivos. A alface que você como, já teve vida um dia, e sangra na sua boca, derramando seu liquido interno, enquanto é esmagada pelos seus dentes. O cogumelo que você come é um fungo, igualmente vivo.
Então se você irá utilizar como argumento, que é vegano para respeitar a vida, esclareça que é exclusivamente a vida animal, que nem mesmo é a parcela mais significativa de vida, pois nosso planeta tem muito mais vegetais, fungos e bactérias, do que animais.
Dentro dessa mesma justificativa, outra imensamente tola que apresentada, é a afirmação de que vegetais e outras formas de vida, como os fungos não tem sistema nervoso, por tanto, não sentem dor, e por isso podem ser consumidos. Lembremos que em mil seiscentos e pouco, René Descartes, um dos maiores nomes em pesquisa e conhecimento cientifico de sua época, afirmava que animais não possuíam alma, sendo assim, eram incapazes de sentir dor, podendo ser feito com eles qualquer coisa, sendo ele próprio responsável por torturar e multilar diversos animais. O conhecimento que afirma que vegetais não sentem dor, e qualquer outro conhecimento afirmado na atualidade, é construído segundo as limitações atuais, por tanto, considera-lo como uma verdade confiável é muito perigoso.

BOICOTE DE MATERIAIS QUE PRODUZAM MAUS TRATOS A ANIMAIS

Evitar consumir produtos que tenham sido testados em animais é uma tentativa, mas conseguir de fato, é muito difícil. Pois a roupa que você usa, em geral já passou por testes com animais, para saber se a tintura não geraria alergias, assim como muitas vezes ocorre com esmaltes, batom e outros cosméticos e cremes. Quando falamos em medicamentos então, é quase impossível que um medicamento seja aprovado para o consumo humano, sem antes ter passado por diversos testes, desde ratos, até primatas superiores. Então é quase impossível, que você não consuma coisas que produziram maus tratos a animais.
Aqui entra outra questão, por exemplo, o fato de a pessoa não comprar uma roupa de couro, porque tem origem animal, obviamente, mas compra uma peça feita em couro sintético, com a utilização de mão de obra escrava de crianças asiáticas, se considerar que também somos animais, sustentar mão de obra escrava das grandes marcas de roupas, bolsas e sapatos, não é uma forma de deixar de contribuir para maus tratos a animais.
O simples fato de produzirmos alimentos em áreas que originalmente eram matas fechadas, por si, já é maus tratos a animais, pois destruímos quilômetros de florestas, casa de varias espécies selvagens, para plantar: arroz e feijão. Retomo, é quase impossível que você consuma algo que não tenha maltratado animais em alguma etapa do processo de produção. Às vezes até mesmo um “inocente” vinho, ou suco de uva artesanal, pode ter sido produzido com tração animal.

CONTRIBUIÇÃO PARA UM PLANETA MAIS SAUDÁVEL.

Muitos veganos iniciantes, usam dados como a quantidade de gases emitidos na criação de bovinos, para defender que o consumo dessa carne promove a destruição da camada de ozônio e o ar puro do planeta. Realmente a criação bovina é muito danosa nesse sentido, pois o processo digestivo dessa espécie, que são ruminantes, por tanto tem uma digestão muito singular, passa por várias etapas, que geram quantidades de gases bem consideráveis. Mas essa mesma pessoa que faz essa afirmação, usa seu automóvel para ir toda manhã, na padaria que fica a duas quadras da sua casa, sendo que automóveis consomem litros de oxigênio limpo, para poderem produzir sua combustão. Despejam toneladas de poluentes resultantes dessa combustão, além do fato de as grandes petrolíferas, que são responsáveis pela produção do petróleo e por consequência da gasolina e do diesel, produzem imensa destruição ambiental nesse processo, e constantemente estão envolvidas em crimes ambientais, como derramamento de combustível em solo ou mar, que produz a morte de milhares de animais terrestres e marinhos.
Não muda tanta coisa assim, utilizar transporte público, em um país com frotas de veículos: antigos, desregulados, que poluem dez vezes mais do que o seu carro.

TER UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL

Esse é um argumento muito comum de ser utilizado, o fato de se alimentar desse modo, para uma vida mais saudável. É possível, que em alguns aspectos realmente essa alimentação seja mais saudável, desde que, você não consuma frutas e verduras cheias de agrotóxico, que são tão danosas para a saúde quanto à gordura animal. Desde que você, não beba em excesso, não fume e nem consuma medicamentos sintéticos com regularidade, pois ambos destroem com estomago, fígado e rim, muito antes do que qualquer derivado animal. Não tenha uma vida sedentária, pois atividades físicas são tão importantes para a saúde quanto à alimentação.

ENCERRAMENTO


Como mencionei anteriormente, se você é vegetariano, vegano, crente, ateu, ou um carnívoro declarado, você não tem obrigação nenhuma de se explicar para ninguém, nem de justificar suas escolhas, mas se você optou por se justificar, faça de maneira coerente e inteligente, para não passar vergonha, nem fazer com que outras pessoas, que fizerem as mesmas escolhas que você passem vergonha junto. Espero que esse texto seja útil para aqueles que fizeram essa escolha, ou a entender que não precisam se justificar, ou a construir justificativas mais coerentes e conscientes. Lembrando que ser extremista em qualquer coisa, é sempre um risco imenso de hipocrisia, pois quem mantém opiniões extremas, inevitavelmente irá cair em contradição.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

SOBRE A VELHICE

A velhice psicológica em geral, nos atinge antes da física. Uma das falácias da idade é a ideia de sabedoria ou conhecimento, se afirma sobre os velhos serem detentores de conhecimento, muito longe disso, não apenas hoje, mas há muito, o conhecimento muda em tal ritmo, que ninguém o detém, apenas é transpassado por ele. Sempre afirmei, um velho que nada estuda nada sabe. Um jovem que muito lê, está a construir sua sabedoria. A tola afirmação de que a idade trás sabedoria, já foi responsável por envelhecer mais pessoas, do que os anos o fez, essa tola crença de associar idade a conhecimento, faz com que muitas pessoas se “emburreçam” cada vez mais ao envelhecer, pois deixam de se preocupar com o aprendizado, e a falta de exercício os torna incapaz de lembrar o que já haviam aprendido, em alguns casos chegam a ser incapazes de manter a sanidade mental e a capacidade racional.
A confiança na sabedoria da velhice tem como certa consequência o desenvolvimento de pessoas cada vez mais ignorantes, a idade nada trás alem da proximidade com a morte, o que trás conhecimento é a busca por ele, e o que trás a sabedoria é à vontade e empenho em pensar. Nada disso tem relação intrínseca com a idade. Envelhecemos justamente porque cremos nos benefícios da idade, nos tornamos imbecis, por parar de estudar, aprender e ler, acreditando que a idade trás sabedoria. Nos tornamos débeis fisicamente, por preguiça de nos exercitarmos, e usamos como desculpa, a afirmação, que em nossa velhice, nos cabe dedicarmo-nos aos exercícios mentais, mas mesmo esses foram abandonados, pela mencionada tolice de acreditar que ser mais velho equivale a ser mais sábio. Não foram poucas as vezes que pedi a meus colegas de sala explicações a respeito do que me era desconhecido, considerando que em minha sala de aula universitária sou o mais velho, se a idade alguma sabedoria trouxesse, não seria lógico nada perguntar aqueles que são muito mais novos que eu. O que dizer de meus professores, que em geral mais novos que eu, e ainda assim doutores em áreas que ainda engatinho?
Não exalto a juventude, nem dela sinto falta, fase que passou, me ensinou e consequências deixou, de bom grado aceito a idade que vem se achegando, uma dor aqui, um problema de saúde ali, me cuido e tento recuperar parte do que perdi por decisões duvidosas, me alimento dentro do que considero saudável e prático exercícios, físicos e mentais. Mas uma coisa é certa, aceito de bom grado cada ano que chega, sem apressa-los, nem tentar retarda-los. Não me vanglorio da idade, nem lamento por ela, apenas aceitos as novas limitações que vão se apresentando, e aproveito o conhecimento que vou adquirindo, boa parte dele, com pessoas mais jovens do que eu.

Embasado em Cícero.